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UM OLHAR NO CAMINHO TRILHADO

UM OLHAR NO CAMINHO TRILHADO

Este artigo foi apresentado no na VII Jornada Gaúcha de Arteterapia (Porto Alegre/RS – maio de 2004) publicado em Artigos Originais na Revista Científica de Arteterapia Cores da Vida.

Ano 4 – Volume 6 – Número 6 – Janeiro – Junho – 2008 / ISSN: 1809-2934

– Associação Brasil Central de Arteterapia –

ARTIGOS ORIGINAIS

UM OLHAR NO CAMINHO TRILHADO

Marilice Costi

Resumo: Este artigo relata uma experiência no âmbito familiar e foi elaborado para a disciplina Dimensão Psicológica da Arte ministrada pela Psic. Bárbara Neubarth MS no curso de pós-graduação em Arteterapia da Faculdade de Ensino Superior de Marechal Cândido Rondon (Paraná, Brasil, 2004). A autora, que sempre atuou na área artística, empregou a arte para se comunicar com seus filhos. Neste caso, o relato é sobre um deles com diagnóstico borderline, cujos desenhos foram guardados por muitos anos (assim como as cartas enviadas pela mãe aos terapeutas do filho) e estudados agora, sob enfoque arteterapêutico. Nos primeiros capítulos, encontram-se conteúdos referentes ao processo de criação, à personalidade borderline e ao manejo feito à época pela mãe. As condições emocionais do filho são descritas num breve histórico no quarto capítulo. A seguir, é relatado um estudo de seus desenhos. O olhar lançado sobre tal material revela o caráter simbólico e as possibilidades terapêuticas dos recursos artísticos utilizados, facilitadores de conexões, ampliando a comunicação no núcleo da família.

Palavras-chave: Vivência familiar; Personalidade borderline; Método empírico; Arteterapia; Comunicação mãe-filho.

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Abstract: This paper describes an experience carried out in the familiar scope as a requirement for the discipline taught by Psychologist Msc. Bárbara Neubarth, entitled Psychological Dimension of Art, at the Art-therapy Post-Graduation Course of the Marechal Cândido Rondon Higher Education College (Paraná, Brazil, 2004).  The author has always acted in the artistic area and used art to communicate with her children. This case is about one of them, who has been diagnosed as borderline, whose drawings had been kept for many years (as well as the letters written by the mother to the child’s therapists) and studied under the art-therapeutic approach. The process of raising the child, the borderline personality and the ways the mother handled that condition are described in the first chapters.  The child’s emotional conditions are briefly described in chapter four.  A study of his drawings is done next.  The look upon such material shows the symbolic character and the therapeutic possibilities of the artistic resources applied, which are facilitators of connections, thus increasing communication within the family nucleus.

Key-words: Familiar experience, Borderline personality, Art-therapeutic, Empirical method, Communication mother-son.

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Resumen: En este trabajo se describe una experiencia realizada en el ámbito familiar como requisito de la disciplina Dimensión Psicológica de Arte impartida por la psicóloga Bárbara Neubarth MS, en el Curso de Post-Graduación en Arte Terapia de la Facultad de Educación Superior Marechal Cândido Rondon (Paraná, Brasil, 2004). La autora siempre ha actuado en el área artística y ha utilizado el arte para ampliar la comunicación con sus hijos. Este caso es acerca de uno de ellos, que ha sido diagnosticado borderline. Sus dibujos se habían mantenido guardados durante muchos años (así como las cartas escritas por la madre del niño a los terapistas) y estudiados, ahora, en el enfoque terapéutico. El proceso de creación, la  personalidad borderline y la forma de manejo de la madre son descritas  en los primeros capítulos. Las condiciones emocionales del niño son relatadas brevemente en el capítulo cuatro. Un estudio de sus dibujos se hace a seguir. La mirada a ese material muestra el carácter simbólico y las posibilidades terapéuticas de los recursos artísticos aplicados, facilitadores de conexiones, por lo tanto, resultarán en mayor y  mejor comunicación en el interior del núcleo familiar.

Palabras-clave: Vida familiar, Personalidad borderline, Método empírico, Arteterapia, Comunicación madre-hijos.

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“Una de las características que singulariza a los creadores es la capacidad de convivir con la herida, con el dolor, con el trauma y tener el don de transfórmalo en creación.”  AISEMBERG ER et al. 

Introdução

Este trabalho é o resultado de uma vivência da mãe com um filho de personalidade borderline. Foram muitas horas de estudo do rico material, produto de uma época dolorosa de suas vidas e conservado durante muitos anos. Dedicação, coragem, resistência e determinação foram necessárias, pois mobilizar emoções passadas tem seu preço. Além disso, fazer uso de material familiar não lhe parecia adequado. No entanto, muitos motivos a levaram a fazê-lo, entre eles: 1) o estímulo dado pela professora do curso de Arteterapia (ela justificou que autores consagrados, tais como Piaget e Melanie Klein, relataram atendimentos feitos a seus filhos); 2) a existência de pouca literatura que retrate o que pensam e sentem os pais em situações semelhantes; 3) a publicação, em 2001, do livro-depoimento escrito pela mãe: Como controlar os lobos? Proteção para nossos filhos com problemas mentais, patrocinado pela Gerdau em um de seus projetos sociais; 4) a existência dos desenhos do filho e de material escrito carinhosamente guardados e 5) a vontade de que este registro possa servir para auxiliar mães, pais, família e terapeutas. A autora persistiu na releitura do caminho já trilhado que, se fosse possível, não gostaria de lembrar.

A experiência que passa a descrever é sobre Cláudio, nome fictício para lhe preservar a identidade – portador de sofrimento psíquico (PSP) e resultou de vivência da autora no âmbito familiar. Os desenhos de Cláudio, aqui estudados, foram feitos na década de 80 e serviram como veículo de comunicação entre mãe e filho. Vinculada profissionalmente às artes, a mãe – escritora desde menina – costumava registrar fatos e guardar as cartas enviadas aos profissionais que atendiam o seu filho. As muitas fases difíceis pelas quais a família passou, tais como: a doença grave do pai de Cláudio, a existência de um “novo pai”, a gravidez da mãe e o nascimento de mais um irmão foram registradas em seus desenhos. Após a feitura dos “trabalhinhos”, ele sempre falava à mãe sobre seus sentimentos e ela o acolhia tentando compreender para poder ajudá-lo.

Na primeira parte podem ser encontrados conteúdos referentes ao processo da criação, ao tipo de personalidade do filho, e à vivência e ao manejo da mãe (método) que, mesmo conhecedora da teoria de Herbert Read e de Fayga Ostrower, não julgava que a arte possuía tamanho potencial terapêutico, o que aprendeu no curso de especialização em Arteterapia. As condições emocionais de Cláudio se encontram em breve histórico e podem ser aprofundadas no livro-depoimento publicado pela mãe em 2001 (COSTI, 2001). Seus desenhos são estudados sob o enfoque arteterapêutico, antes das considerações finais.

O processo “arteterapêutico” ocorreu devido às características da mãe que, ao utilizar a arte na convivência com seus filhos, deu apoio ao filho especial, o que resultou em um processo arteterapêutico singular.

O processo criativo

A criação – que é visceral – representa a concretização simbólica da vida psíquica, ela “não passa pelo racional e está mais ligada ao lado intuitivo, uma vez que criatividade e intuição se originam no hemisfério direito do cérebro, domínio não verbal, sede da imaginação e das sensações” (PAVANI; MACHADO, 2003, p.18). É um processo vital, pois o ser humano se relaciona com o mundo que o rodeia através do que faz, do que cria, do que produz. (LAMAS; HINTZ, 2002). Para Freud, a criação é o resultado de uma função psíquica, que denominou sublimação, mas para Jung é uma função psíquica natural da mente humana, tendo função estruturante do pensamento (Andrade, 2000), o que é ratificado por Ostrower (1977, p.9), que afirma que o ato criador abrange “a capacidade de compreender, e esta, por sua vez, a de relacionar, ordenar, configurar, significar”. Logo, estruturar.

Durante o processo de criação, é preciso estar em sintonia com o próprio interior para captar do inconsciente, os elementos capazes de auxiliar na elaboração da obra. Quando algo é evocado à consciência a partir da essência primordial do ser (forças psíquicas), acontece o ato criador em gesto, pensamento, palavra ou imagem. Para que se possa ter acesso a esta forma de conhecimento, é preciso estar livre de censuras.

Bloqueios emocionais são comuns e são várias as suas causas: traumas, críticas destrutivas, dificuldades de compreensão, entre outras. A Arteterapia possibilita a ampliação da consciência de símbolos ocultos, ignorados e reprimidos da psique humana; facilita o resgate e desbloqueia através de formas diversas de expressão; proporciona saúde mental e mais qualidade de vida humana ao fortalecer o potencial criativo. Sendo auxílio na solução de problemas emocionais, ele reduz a ansiedade na medida em que a consciência dos conflitos se expande. Valorizando as experiências de vida, a autoestima é resgatada através de seus potenciais latentes, da compreensão das emoções e de conteúdos inconscientes.

Quando se enfrenta uma folha em branco e se cria corajosamente, afirma May (1982), é que ocorre um libertar de amarras. Liberar a criatividade é criar asas libertando o contido: é um processo catártico que dura enquanto as pulsões são vivenciadas até o momento em que a obra é dada como terminada e a tensão foi liberada definitivamente. Tal momento impulsivo é o que dá vida ao trabalho, momento que muitos chamam de “pulsão”. É quando o autor se apossa de suas informações inconscientes para as tornar concretas. Existem casos em que a tensão emocional pode ser minorada “em maior ou menor grau, talvez apenas momentaneamente” (HAYAKAWA, 1972, p.118), o que pode ser mais comum em doentes crônicos, especialmente, borderlines. Para eles, é preciso repetir, repetir, repetir pois têm muita dificuldade em fixar conteúdos e aprender com a experiência.

A tomada de consciência pode ocorrer também durante o criar, mas é na compreensão dos conflitos que se estabelece o processo arteterapêutico, na verbalização e entendimento dos símbolos que se criou. Disse Segal (1975, p.32) que “as coisas acontecem muito antes das palavras” portanto, o ato de expor verbalmente os significados dos próprios desenhos, permite internalizar conhecimentos externos e, inclusive, convertê-los em ferramentas para o controle da consciência (Bruner apud LORENZATTO, 2000). Isto também pode acontecer com portadores de sofrimento psíquico (PSP), com doentes crônicos. Tais pessoas especiais também produzem arte, que funciona como suporte para enfrentarem o mundo real. O sujeito se constrói onde o desenho se configura, pois muitos de seus símbolos psíquicos são então revelados. Ao visualizarem a força de seu inconsciente, elas podem resgatar consciência e ganhar saúde mental. Melanie Klein foi pioneira nesta área.

Os sentimentos negativos são amarras do homem que, assim como o prazer, o amor e a alegria, possuem similares significados em qualquer lugar do mundo. Ao “sentir a beleza do sutil, em um espaço onde antes era nada, e que de repente passa a ser uma forma, um contorno, emerge um gesto, (…) a expressão de um sentimento”, ocorre um redimensionamento do que existia em direção a algo que passa a ser conectado com os valores internos e constituintes do ser (ALESSANDRINI; NASCIMENTO, 1999, p.32). Entre os PSP, estão os de personalidade borderline, onde se insere o caso do sujeito aqui relatado. Segundo Ballone (2006), eles possuem um ego que não suporta o vazio, a separação, a ausência e não sabem superar com equilíbrio os conflitos. Tais pessoas podem sentir empatia e carinho por outras pessoas, no entanto, seus sentimentos são frutos exclusivos da expectativa de que a outra pessoa estará lá sempre disponível para atender apenas àquilo que necessitam. É o caso deste trabalho.

A personalidade borderline

O sujeito borderline (CID.10) possui um tipo de transtorno de personalidade, com tendência a agir impulsivamente de modo marcante e sem considerar consequências, associado à instabilidade afetiva acentuada. Queixam-se muito de sentimentos crônicos de vazio e fazem esforços excessivos para evitar o abandono, podendo desencadear em consequência disso, tentativas de suicídio ou atos de autolesão (BALLONE, 2006). Oscilam bastante entre os extremos (euforia e depressão) e são infantis nas suas decisões mesmo quando fisicamente atingem a maturidade. Devido a isto, podem se encontrar menos bloqueados que um adulto, pois se expressam sem medo, até devido à ausência de juízo crítico. Quando se interessam em pintar ou desenhar – não o fazem para ter uma profissão ou ser artista, mas para ter ganhos afetivos e aprovação. Pela falta de censura é mais fácil reconhecer suas emoções. Caso o resultado seja estético, não é porque racionalizam esteticamente, pois como a criança, pintam sem esta preocupação.

Quem cria é dono de sua arte e é só o criador que pode decodificá-la. Daí ser fundamental a fala: o pensar e o verbalizar sobre o que é imagem, volume ou qualquer expressão artística. Diferentemente de um grupo maduro – quando a troca de informações e a empatia fazem crescer as relações interpessoais e o autoconhecimento – depois de se expressar com arte, é preciso um espaço privado para conversar. No caso de grupos de familiares, quando um membro da família se encontra em crise aguda, os demais membros sofrerão também, preocupar-se-ão com ele, porque existe afeto. E isto resulta em mais problemas.

Criar sem compreender o que se fez é apenas uma parte da Arteterapia, complementação necessária à compreensão dos próprios símbolos (ocultos, ignorados e reprimidos) quando se completa o processo terapêutico. Apesar das dificuldades do borderline, pode-se obter bons resultados na Arteterapia, pois ele pode participar de todo o processo arteterapêutico facilitando a compreensão dos seus sofrimentos e, assim, receber o apoio necessário.

A vivência no âmbito familiar

Foi devido às características artísticas da mãe[1] e à sua habilidade para desencadear processos de ajuda que um método arteterapêutico, empiricamente, acabou sendo aplicado. Foram fundamentais: o ambiente estimulante (mesa, vários materiais de desenho à livre escolha dos filhos – papéis, lápis de cor e hidrocores neste caso, e a sua presença incentivadora para facilitar o processo; o tempo disponibilizado sem interferência de outros estímulos (após as refeições, a televisão era desligada, mas eventualmente, podia existir fundo musical); a postura (ausência de autocrítica) e crítica: não eram aceitas as palavras: errar, corrigir, apagar, rasgar “porque ficou feio”; o respeito à individualidade do outro (durante os encontros, cada um dos filhos tinha liberdade total para criar e a mãe cuidava para que eles não sofressem interferência um do outro, nem bloqueassem seu próprio processo criativo; ao término, todos os desenhos eram valorizados).

Num segundo momento, reconhecer e dar significado à criação, com privacidade: era no quarto da mãe que o choro, a raiva, a fala podiam acontecer. Isolavam-se, tanto para proteger os irmãos – que se encontravam em diferentes momentos cognitivos e emocionais – quanto por causa de Cláudio, que alterava seu comportamento, negando-se a falar ao perceber a reação deles ou ficando muito bravo vendo a expressão facial dos irmãos. Enquanto conversava com a mãe, seus irmãos permaneciam brincando na mesa da sala.

Foi importante o registro das falas (a mãe escrevia sobre o ocorrido e enviava cartas aos terapeutas do menino, o que possibilitou resgatar, agora, os fatos e relacioná-los com os trabalhos guardados).

Breve histórico de Cláudio

Cláudio, gêmeo fraterno, prematuro, teve desenvolvimento mais lento que o irmão. Sempre apresentou instabilidade e dificuldade cognitiva. Diagnóstico: borderline, QI limítrofe. Na creche, as diferenças entre os irmãos foram mais visíveis. Quando ele tinha cinco anos, o pai, doente mental grave, foi embora. A partir de então, Cláudio apresentou quadro psicótico, hiperatividade, falta de limites, baixa tolerância à frustração e maior desorganização na sociabilidade.  Dois anos depois, o pai cometeu homicídio tendo sido recolhido ao Manicômio Judiciário. Cláudio fugia, comia demais, não cuidava ao atravessar a rua, furtava. Se acusassem os irmãos pelo delito, ele ficava quieto. Descoberto,  prometia não repetir, mas não cumpria. Dizia sempre (e até quando adulto) que queria estar com o pai, desejava parar de sofrer por causa do pai, que ele acreditava ter doença contagiosa. Naquela época, ele estava com doze anos e recém cursava uma classe especial em escola comum. Brincava muito com o irmão e a irmã mais nova, mas quando visitava outras casas sempre trazia algo escondido: brinquedos, dinheiro ou qualquer coisa. Às vezes, ficava agressivo; outras, apático, quando então se encolhia em posição fetal. Desde pequeno machucava-se com frequência e possuía pouco desenvolvimento da motricidade fina. Usou bota ortopédica até os dez anos e foi atendido por fonoaudióloga. Quando visitava o pai, Cláudio chorava e gritava mais, ficava mais agitado e compulsivo. Atirava os brinquedos no chão, pela janela ou nos irmãos para agredi-los. Saía sem avisar e só voltava ao anoitecer. Encaminhado para uma clínica de dois turnos, aí foi atendido durante muitos anos. Na segunda infância, ele apresentou deficiência auditiva, o que poderia também estar interferindo no seu equilíbrio cinestésico.

As visitas ao pai, recolhido ao Instituto Forense, ocorriam especialmente nas festas principais: Natal, dia dos Pais, aniversários, Páscoa, quando toda a família deprimia. Ele alterava muito o comportamento, passando a mentir e a furtar mais. Nos cadernos de aula, sua letra se tornava irregular (ela é muito clara e legível até hoje). No período entre as visitas, ocorria uma nova organização familiar, exigindo grande esforço de todos: um equilíbrio (?) que se desfazia na visita seguinte. Neste tempo, a mãe namorou e anos depois teve um menino. Cláudio tinha dezesseis anos e o fato mobilizou diversos sentimentos em todos os irmãos, especialmente, nele.

A importância dos desenhos

Num domingo, ninguém sabia que o pai estava contido no Pavilhão fechado, onde menores não deveriam ter acesso. O pai estava perigoso!!! Na segunda-feira, houve greve dos professores e Cláudio só teve atendimento à tarde na clínica terapêutica. Na terça-feira, quando a mãe retornou do trabalho, ele lhe deu os três desenhos abaixo que se pressupõe  estejam na ordem em que foram feitos.

Quando adolescente, Cláudio ainda se expressava de forma infantil. Por isto, a temática veículos é adequada, típica dos meninos que brincam “de autinho”, explicitando seu desenvolvimento intelectual, emocional e perceptivo, singular na forma e universal no tema.

O desenho da Figura 1a é um veículo de porte (referência ao caminhão visto na fábrica do avô?) desenhado com clareza: existe um chão e o traçado agitado aceita os limites que ele mesmo se deu ao formar a figura. Pillar (1993, p.16) afirma que a criança, em seu trabalho, “constrói noções a partir das vinculações que ela estabelece com o que foi percebido nas suas experiências sensoriais e motrizes.” De forma analógica, pode-se considerar que as linhas também são fios que se embaraçam, assim como Neubarth (2002) relata num estudo de caso com bordados e linhas, quando afirma que é comum dizer estou enrolado, quando se está em uma situação de vida em que não se acha o fio – o caminho a seguir. Fios/linhas demonstram o conflito que ele viveu: a falta de fio, de um norte, de um pai ordenador.

Observa-se a existência de estrutura no edifício da Figura 1b, pois Cláudio se encontra próximo da realidade (ele morava em edifício com esta tipologia) e parece desconectar-se da dor que sentia, existe um sol duplo (conflito – dois pais?[2]), uma pipa, nuvens, uma linha demarcadora de terra sob as rodas dos veículos. Na Figura 1c é diferente, pois ele já se encontra mais articulado, o pensamento mais ordenado, apesar das linhas agitadas e conflituosas.

Volmat (apud LIMA, 1991, p.350) descreve um certo número de fenômenos, de mecanismos ou leis que podem ser observados nos quadros dos PSP. No caso dos desenhos de Cláudio, pode-se encontrar parte destes fenômenos. Observa-se a riqueza simbólica neste caso, especialmente no plano individual, no conflito dos traços, na expressão da cena que é parte interna sua – um acidente – e ele pede ajuda (Fig. 1c).  Ele substitui a realidade objetiva – a dor em relação ao pai – por uma realidade subjetiva e desenha o namorado da mãe que trabalha em área relacionada à implantação de projetos de sinalização urbana (transferência ou um novo significado?), sinaleiras e carro destruído, tentando talvez passar para o padrasto, uma forma que Cláudio supõe seja compreendida. Era difícil ser aceito e entendido na sua necessidade compulsiva de afeto. Parece tentar falar na linguagem conflituosa da relação paterna x relação com o namorado da mãe. Observa-se um significado mágico nas imagens. Um simbolismo num acidente, num machucar-se. Segundo Dax (apud LIMA, 1991), os desenhos dos deprimidos pedem ajuda, solicitam simpatia/empatia ou demonstram sentimento de frustração. Cláudio tenta se aproximar do namorado da mãe, uma aproximação que sempre foi difícil, ao mesmo tempo em que expressa estar muito machucado. Analisando o trabalho de Cláudio, pode-se constatar que ele fez um pedido de socorro ao desenhar um acidente de carro. Naquela data, o seu sofrimento estava latente em relação ao pai, pois havia sempre muita frustração no dia da visita. Neste caso, o desenho não possui linha de base. A própria folha é a base do desenho, o que para outras pessoas poderia ser considerado um desenho sem equilíbrio formal. Cláudio usa diversas cores, portanto não parece ter ideias de suicídio, mas expressa mais um pedido urgente de acolhimento.

Fig. 1a, 1b e 1c – Tempos difíceis

Relata  Jakab (apud LIMA,1991, p.351) “que os pacientes tocam a superfície  de uma maneira diferente daquela de um sujeito são”. Isto se deve ao fato de que eles possuem uma estética peculiar, não se exigem e não são exigidos tanto no trato formal quanto no uso da técnica. Nunca houve crítica por parte da mãe, ela não corrigia seus trabalhos e sempre estimulava todos os filhos a criarem o que quisessem. Cláudio tinha catorze anos nesta época e se expressava facilmente. Os desenhos, que Cláudio deu à mãe dois dias depois da visita ao , eram um sinal de que ele não estava bem, pois ele se mostrou agressivo e não conseguia fazer seus temas escolares à noite após a janta. A mãe o levou ao quarto dela, onde conversaram bastante. Ele chorou muito. Enquanto ela o abraçava, pediu-lhe que contasse o que sentia.

Aos poucos, ele se acalmou e retornou à sala quando disse que “ia trabalhar bonito” e fez o desenho a seguir (Fig. 2) demonstrando possuir noções de estrutura espacial. Os fios tomaram novas formas e se organizaram: observa-se equilíbrio formal. Após conversar e demonstrar suas dores e tendo recebido a atenção da mãe, Cláudio conseguiu dar forma às linhas e trazer frutos para a sua vida?

Figura 2 – Caminhão com frutas

Quando Cláudio se expressava, seus estados de tensão podiam se tornar suportáveis à medida que seus sentimentos eram enunciados por meio de palavras e acolhidos pela mãe. A sequência[3] demonstra uma depuração no traçado, que antes era excessivamente conflituoso e sem muita definição formal, e agora passa a ser claro, limitado, organizado e alegre (muitas cores) onde a figura se destaca do fundo e mostra a sua relação.

Nas Figuras 3a e 3b, Cláudio iniciou suas relações com o futuro irmão. Era maio de 1987 e ele ficou sabendo da novidade quando a barriga da mãe começou a crescer.  Não pareceu muito satisfeito. Cláudio se desenhava emburrado, bravo. Nos dias seguintes, ele fez uma série de figuras de uma mulher grávida com enfeites femininos – estrelas nos sapatos, gola colorida, bochechas, olhos e boca pintados. Apesar do desenho ser bastante colorido e ele parecer divertir-se ao desenhar, havia uma clara noção da realidade da mãe no seu sexto mês de gravidez. Nesta época, ele tinha 15 anos. Outros desenhos foram feitos no mês de junho, poucos dias depois de a mãe lhe ter contado.  Neles, pode-se observar a expressividade e uma “aparente” aceitação do fato.  Os desenhos mostram a barriga da mãe transparente (tem algo dentro!): uma busca de consciência do real.

Figuras 3a e 3b – A gravidez

 

 

 

 

 

 

 

 

Afirma Silveira (1970, p.3) que “somente a imaginação é capaz de dar forma às sensações internas, às emoções, aos sentimentos. Somente a imaginação pode fazer de fantasias vagas e de imagens imprecisas oriundas do inconsciente, dados objetivos”. Cláudio não demonstra perspectiva, seu traçado permanece em duas dimensões. Observa-se também que ele detalha elementos: flores, brincos, bolsos, botões, cinto, golas, cadarços. Seu trabalho de linhas e estilização mostra o essencial, formas simples e que registram feminilidade.

Ratificado por Fiedler (apud SILVEIRA, 1970) no séc. XIX que diz: “na criação da obra de arte o homem engaja-se em luta com a natureza não pela sua existência física, mas pela sua existência mental”, Herbert Read afirma a importância da atividade artística como meio de apreensão da realidade e progressiva estruturação da consciência, instrumento essencial para o desenvolvimento da consciência humana e é o que se pode observar nos trabalhos de Cláudio. Devido às suas condições, a conscientização parece volátil, não se estabelece concretamente. O assunto não se extingue, a solução parece ser momentânea na maior parte das vezes e o tema volta a se repetir de tempos em tempos.

Pode-se afirmar que a gravidez da mãe mobilizou sua capacidade de criação. Cláudio demonstrou realidade no desenho: um bebê na barriga da mãe. Isto a tranquilizou, pois acreditou na aceitação do novo membro da família por parte dele.

O nascimento estava previsto para o final de setembro, mas o menino – já se sabia o sexo antecipadamente – abriu os olhos vinte e cinco dias antes. Poucos dias após o nascimento do irmão, Cláudio passou a ter um tipo de comportamento involuntário: movimentava as pernas sem parar, dia e noite, inclusive quando acamado. Suspeitou-se de tumor cerebral, mas nada foi encontrado após profunda investigação hospitalar. Cláudio retornou para casa sem diagnóstico de doença física e foi encaminhado para um psiquiatra, que reforçou a sua necessidade de rever o pai. Ele continuava afirmando que tinha problema nas pernas. Simbolicamente, dizia à mãe – ela assim entendia -, que não conseguia caminhar sozinho. Insistiu tanto que ela o levou a um ortopedista, que ratificou o diagnóstico anterior: nada havia com as pernas. Ele não acreditava no médico, que, para acalmá-lo, solicitou um exame radiológico. A caminho da Radiologia, ele parou de movimentar as pernas de forma intermitente. A mãe percebeu que ele estava monopolizando sua atenção por causa do bebê que ficara em casa e que, naquele momento, não estava “roubando-lhe a mãe”. Deixou-o sozinho para fazer o exame e disse com tom de gravidade: Em casa nos falamos… Quando Cláudio retornou, ela foi ríspida e direta: Escute bem! Você já sabe comer, tomar banho sozinho, sair, ir à escola, até fazer exames no hospital. Teu irmão precisa de tudo porque é pequeno. Se quiseres cair porque estás querendo que eu só cuide de ti, azar teu. Não quero mais saber de tuas pernas. Te vira…

A partir daquele momento, ele não teve mais aquele comportamento repetitivo. Parou de mexer as pernas e passou a observar o bebê, pegava-o no colo, cuidava dele, mas sempre com cuidados e atenção de todos. Continuou sendo apoiado por psiquiatra, visitou o pai, mas vivia o sofrimento de dor e abandono, o que sente até hoje.

Ele sempre fantasiou um pai perfeito que lhe tirasse todas as dores. A mãe não possui desenhos do pai feitos por ele. Não lembra de tê-los feito, observa que ele ainda não tinha essa habilidade desenvolvida. Pode ser que a figura dos seus desejos mais básicos não possa ter sido concretizada e nem conscientizada como ele costuma fazer com tudo que observa e repete nas suas pinturas. O que faz muito bem quando quer agradar a mãe.

Ele se expressava de forma eficiente, mas desenhar o bebê na barriga da mãe não foi elaboração suficiente para aceitar o nascimento do irmão, pois quando a mãe foi para o hospital, ele demonstrou não estar preparado. Nas suas dificuldades, o corpo em movimentos (in)voluntários e constantes, demonstrava que ele tinha que se mover. Para onde? Agora com quinze anos, ir para frente? Crescer de verdade? Mas como? Ou era apenas para chamar atenção para si.

O fogo e as características de festa de São João (festas de junho) nada têm a ver com o período que ele desenha a Figura 4a, mês de novembro. Necessário observar-se os símbolos que ele traz, tais como fogo, bomba, cruz no peito da mãe (bruxa? Inquisição? morte?).”Os mitos fazem a alma falar”, afirmou Larsen (1991, p.16). Cláudio matou a sua mãe infantil?

Figura 4a – Períodos difíceis

Depois, ele retomou o tema veículo e com um acidente de carro, escreveu Viva!!! entre os nomes do padrasto, da mãe e do irmãozinho (Fig. 4b) . Houve alegria quando morreu o motorista? Quem realmente teria morrido ali? Cláudio, que tinha medo? Que não sabia quem era o irmão? Ou Cláudio colocou-se no seu devido lugar, com mais responsabilidade, com maiores direitos e responsabilidades do que um bebê? Teria havido crescimento?  Ele e seu irmão gêmeo estavam na adolescência onde conflitos são comuns. Mas, novamente, a forma trouxe indícios de novos conflitos e depressão, chamando atenção para si. Estou machucado.[4]

Figuras 4b (acima) e 4c – Períodos difíceis

Suas figuras demonstram uma tentativa de encontrar equilíbrio na relação com o “novo pai” na casa, o que pode ser visto na Figura 4c, quando ele desenhou uma direção de automóvel, elemento que gostava de usar para brincar, que lhe dava domínio do movimento, controle. A imagem pode ser também uma mandala entre dois jogadores – ele era gremista, rival do padrasto colorado. Ao dar os trabalhos ao padrasto, Cláudio buscava uma melhor relação com quem também lhe roubara a mãe?

Os três desenhos abaixo foram feitos no mesmo dia, um após o outro, como Cláudio geralmente costumava ainda fazer.

Os desenhos infantis com conteúdos conflituosos passam a ocorrer nos períodos em que ele se encontra novamente em depressão. Verifica-se regressão no traçado, menor elaboração e um retorno ao desenho. O desenho da Figura 5 foi feito para dar de presente e traz um simbolismo “grande e pesado”, como é um elefante. Letras e grama se confundem, a linguagem está embaralhada? No Dicionário de símbolos, de Chevalier & Gheerbrant (1994), o elefante pode ser a imagem viva do peso, da lentidão, da falta de

Figura 5 – O elefante

jeito, mas ele também, pode ser símbolo de estabilidade, de imutabilidade…

Cláudio, a partir de então, passou a absorver a ideia da vinda do novo membro familiar? Conforme o autor citado, tal animal serve de atributo ao poder régio, quando se considera sua massa e também pode evocar a imagem de Ganeça, o deus hindu, símbolo do conhecimento. Mas ao considerar-se sua desconfiança e precaução, ele é atributo do rei que evita a loucura e a imprudência. Pode ser que, com tal expressão, ele tenha estabelecido níveis de consciência maiores, passando a compreender melhor o amor que passou a sentir pelo bebê frágil e a raiva/dor por “perder o lugar”. Ou os nomes no meio da grama seriam uma forma de poder pisar por cima, esmagando a todos? Mesmo assim, ter sido o filho para o qual todos se mobilizavam e deixar de ser o centro das atenções naquele período, deve ter sido “pesado como um elefante”. Além disso, o irmão teria um pai, diferente dele, que carregava o “peso do abandono” (simbolismo). Ele sempre comunicava sentimentos de não estar bem, quando havia fatos (realidade) causadores de sua tristeza e que o desorganizavam.

Os elementos ocupam toda a folha e equilibram-se formalmente num traçado linear típico de sua idade mental imatura. As suas oscilações surpreendem em outros momentos quando a linha resultou em formas adquirindo forte expressividade. Foram períodos de maior paz interior e organização. É o que se pode ver tanto na Figura 6a, feita após a apresentação de um concerto comemorativo (1988 – um ano após a crise anterior), quanto na Figura 6b na gaiola do canário belga que ocupara lugar na sala de estar da casa num período anterior (1984).

Figura 6a – O Concerto

A qualidade de ambos, no uso da linha, técnica de grande nível de exigência que ele parece dominar sem autocrítica – não costuma usar borracha – na clareza expressiva e ocupação do espaço de forma harmônica, comunica. Nada lhe passou despercebido. As flores verdadeiras enfeitando a gaiola caracterizam um período realista, sem necessidade de símbolos, dando um recado de que algo prazeroso havia ali.

A arte, quando reveladora do inconsciente, é significante. Ela transporta o self através dos símbolos, dá-lhe significados, expressa movimentos, cores, ocupação espacial, desejos, dores e muitas outras coisas. O inconsciente de Cláudio sempre esteve ali no seu traçado feito em papel A4 com canetas hidrocores. Traz a mensagem do inconsciente “puro” do alienado e a que toca as pessoas ao lhes dar “a sensação de romper grilhões e de poder expressar o que têm no fundo de si” (WAHBA, 2005, p.87).

Cláudio presenteava a família com seus desenhos, especialmente, a mãe, receptora de suas angústias. Frequentemente, ela descobria as causas de seu comportamento pelo seu traçado e sua forma de expressão plástica. O desenho era o suporte para a comunicação verbal, pois nem sempre a fala resultava clara. Ao perceber seu sofrimento, ela tentava ajudá-lo a pensar. O quarto dela continuava a ser um lugar de acolhimento – distante do olhar dos irmãos – onde conversavam muito para tentar entender o que ele sentia, sempre tendo em mãos os seus “trabalhinhos” como ele os denominava.

Figura 6b – A gaiola na sala de estar

Considerações Finais

Criar/dar e furtar/destruir são componentes que refletiram a desmodulação do afeto e a dificuldade de Cláudio ao lidar com a frustração na época em que fez os desenhos. Sua constante necessidade de aceitação também dificultou a convivência familiar. Foi através das cores e dos traços que as suas condições emocionais ficaram visíveis. Seus trabalhos demonstram que a arte tem caráter simbólico e é terapêutica, podendo facilitar elos afetivos e ampliar a comunicação entre familiares.

Claro é que, para Cláudio, o ato de desenhar, além de possibilitar sua valorização, pode ter sido desencadeador de processos catárticos que favoreceram a comunicação, servindo de apoio para a tomada de decisões do grupo parental. Reconhecer estados emocionais através dos seus trabalhos facilitou o acompanhamento de sua doença e ampliou o entendimento maternal sobre o seu sofrimento.

Tais momentos se repetiram muito durante muitos anos e atualmente, ele já adulto, além de mudar de time de futebol para o mesmo time do padrasto, quando quer agradar a mãe, faz desenhos primitivos e muito coloridos, e quando se chateia com ela e quer incomodá-la, rasga-os ou coloca-os no lixo, rompendo a comunicação.

Com mais de trinta anos, por um tempo, ele frequentou a Oficina de Criatividade Nise da Silveira, do Hospital Psiquiátrico São Pedro I, onde pintou, reconheceu e verbalizou suas emoções e expectativas. Ainda na esperança de encontrar o pai afetivamente sadio, ele relatava à mãe como fazia seus desenhos sempre ao voltar para casa, e ela observou que ele reconhecia mais realidades do que antes e que participar da oficina vinha ajudando-o a ter mais equilíbrio para administrar sua vida.

Apesar das dificuldades, Cláudio e o irmão mais novo são muito amigos, mas ele mantém períodos instáveis e é facilmente manipulável por estranhos. Tem apresentado potencial para outras atividades, o que vem sendo estimulado em atendimento contínuo no Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre/RS, onde, além de fazer atividades de rotina de casa, trabalha com tapeçaria e é bastante participativo quando se encontra em períodos estáveis.

A vivência familiar demonstrou como são importantes a expressão plástica, o acolhimento e a comunicação verbal, ratificados na oficina no HPSP e no HCPA. A liberdade para (re)tratar dores e a ampliação do nível de consciência que acontece através da criação artística em um ambiente afetivo mostraram-se importantes para auxiliar um sujeito borderline, como neste caso – e confirmam a importância da Arteterapia como processo comunicativo, de aprofundamento de significados, de estímulo da percepção, de desbloqueio e motivação, facilitadora do autoconhecimento. Neste sentido pode-se afirmar que a arte é terapêutica.

 

Referências

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AGRADECIMENTO

Ao estímulo e à orientação da Prof. Dra. Bárbara Neubarth.

 

Notas ____________

[1] Em 1982, a autora participou do curso Opressão versus liberação criativa: tensão dos opostos, ministrado por Liana Timm e Mônica Zielinski, o qual lhe possibilitou experienciar processos criativos sob tensão emocional, influenciando sobremaneira sua própria relação com a arte.

[2] Sol: símbolo paterno, masculinidade. (CAMPOS,1970, p.70)

[3] Pressupõe-se esta seqüência, pois ele disse à mãe qual desenhou primeiro.

[4] “O vermelho e o preto são as cores mais empregadas a partir do momento que as idéias de suicídio se fazem presentes.” (Jakab apud LIMA, 1991, p.352)

 

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MARILICE COSTI

é especialista em Arteterapia, mestre em Arquitetura, graduada em Arquitetura e Urbanismo. Escreve desde menina, é autora premiada, faz parte do Autor Presente – Instituto Estadual do Livro; criou, editou e foi capista da revista O Cuidador durante 7 anos, finalista em mídias impressas no Prêmio Brasil Criativo 2016, São Paulo. Ministra Oficinas de Literatura e Arteterapia. Mãe cuidadora.

Publicações

As palavras e o cuidado: Arteterapia e Literatura, Como controlar os lobos? proteção para nossos filhos com problemas mentais, Tempos frágeis, A Fábula do Cuidador e muitos outros.

Prêmio Açorianos (2006) livro de Poesia – Ressurgimento.
Prêmio Brasil Criativo (2014) Finalista Mídias impressas para a revista “O Cuidador”, SP.
SEO Cuidaqui.com – “negócio de impacto social” (2016) Agir – SEBRAE/RS.

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