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O CUIDADO SE ESTENDE do PRIVADO ao PÚBLICO

O CUIDADO SE ESTENDE do PRIVADO ao PÚBLICO

Um cuidado coletivo

Em 2008, as pessoas não falavam em cuidadores e nem existia esta palavra no Google. As famílias davam um jeito de se acomodarem, adoeciam no cuidado ou seguiriam para um “asilo”. Casa geriátrica? Foi com o tempo que muitas foram construídas.

Foi nesse mesmo ano que passamos a editar a revista O Cuidador. Já na primeira edição, Moacyr Scliar nos brindou com um texto sobre o cuidado, abrindo o tema e informando das necessidades dessa rede de cuidados para quem cuida.

Fui lutando pela revista, quebrei paradigmas, movi-me em todas as direções possíveis e segui até 2015. Em sete anos, aprendi muito. O maior problema de quem era cuidado era seu cuidador, se for uma pessoa sem empatia, quem é cuidado corre risco de vida. A empatia tem a ver com a humanidade, com percepção e compreensão dos outros. Isso se refere a políticos também. Prefeitos, Governadores e Presidente: se não tiverem empatia, não vote, escolha outro.

São cuidadores

Mães, pais, avós, irmãos, familiares em segundo grau compõem um tipo de cuidador. Os profissionais cuidadores  treinados, contratados para cuidar, atendem pessoas vulneráveis e dependentes. São muitas as doenças que causam dependência em diversas faixas etárias.

Dependemos do ciclo de vida. Dependemos do que nos circunda, de nosso trabalho e de nossa trajetória. Devemos cuidar de pessoas, animais, plantas, da água, do solo, do ar. Devemos cuidar da Terra!

Precisamos de milhares de cuidadores, os invisíveis. Escola, alimentação, rede de saúde, segurança, vigilância e outros. Somos ou seremos cuidados por alguém, porque o cuidado é a necessidade básica do ser humano.

A fragilidade e o cuidado

Os homens das cavernas, os solitários num tempo inicial da humanidade não dependiam de outros. Quando passaram a formar casal, passaram a precisar um do outro. Surgiu a família. O homem para trazer o alimento (caçar, pescar) e proteger o território. A mulher, para o cuidado da prole.

Nascemos e morremos frágeis. Quando estamos dependentes é que os cuidados são fundamentais.

Ninguém se basta neste mundo.

Se nos aprofundarmos no estudo da humanidade, descobriremos muito sobre a vida e o cuidado. Ali estará o homem, resistindo, buscando a sobrevivência.

O cuidado permanecerá em muitos momentos da nossa vida. Basta nos machucarmos para nos darmos conta de como é importante obter o apoio de alguém. A dor nos ensina a sermos mais capazes de compreender esses cuidados.

Um cuidado também urbano

Eu tinha uns 7 anos. Corria da rua para casa e ao passar o portão, tropecei no jardim ao tentar acesso. O degrau da área em curva de nossa casa apareceu-me no lugar errado. Cai sobre quina do degrau batendo contra meu estômago. A dor que senti foi tão forte que não conseguia falar. Minha mãe me deitou, acolheu meu desespero e me acalmou com goles de um plus de arnica que ela mesma fizera com a plantinha verde e miúda macerada na cachaça e colocado em garrafa de vidro. Recebi bolsa de gelo no local da pancada e o olhar das mulheres da casa, minhas irmãs, a cozinheira e a copeira.

Disse-me mamãe: Nossa! Minha filha, isso dói muito.

Mamãe entendia de tudo. E disse-me: Vai passar. Fora “apenas” um degrau na frente do acesso principal de nossa casa!

Acessibilidade e o cuidado

Relato o acima para falar de acessibilidade e de cuidados. Os acidentes. Se houvesse uma rampa, incomum naqueles tempos, isso não teria ocorrido.

Os idosos perdem a força muscular na perna e podem tropeçar; grávidas poderão não ver o chão e em uma queda machucarem o bebê; um carregador de compras ou de malas reduziria o esforço físico. Acessibilidade é fundamental para todos. São muitos os benefícios à sociedade.

As eleições estão aí!   Não coloque fora o seu voto, escolha uma pessoa de bem, que lute pelos Direitos dos cidadãos. Analise sua proposta e seu currículo. Escolha bem seus representantes.

A cidade precisa mudar. Dar acessibilidade é cumprir a lei, é um Direito de todos.

Nota:

A Norma Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) NBR 9050 traz todas as informações necessárias para projetos de acessibilidade. Baixe esta norma e confira.

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Marilice Costi é escritora, Especialista em Arteterapia (AATERGS 072/0808). Formada em Arquitetura e Urbanismo, fez mestrado na UFRGS. Poeta e contista. Ministra oficinas e dá palestras. Dirige Sana Arte.

Confira o resultado de sua literatura aqui.

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Glossário

Plus – modo de tomar homeopatia e acelerar uma reação. Muito utilizado, trata-se de um copo com água, com o número de gotas do medicamento homeopático. Com uma colher se mexe bem a água, dando-lhe energia e a dose é de um pequeno gole ou uma colher de sopa em intervalos definidos.

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