Chame no Whatsapp
Esconder

Digite sua pesquisa

Minha história

O cuidado esteve sempre presente na minha vida, diz Marilice. Iniciei na família, minha mãe cuidava de todos que dela precisassem.

Desde pequena Marilice esteve próxima de crianças, idosos, doentes, deficientes. Na pré-adolescência ensinou o alfabeto a uma prima adulta com deficiência. Deu aula de artes para crianças, enquanto suas mães trabalhavam, cuidou de crianças subnutridas em creche de periferia.

– Foi quando me tornei mãe adolescente, que passei a cuidar para sempre, pois um de meus filhos é autista, exigindo atenções diferenciadas dos demais filhos. 

Teve um bom tempo em que sua vida foi correr o tempo todo para atender à família e estudar. Tornou-se arquiteta. As artes plásticas, a música, a escrita eram parte de suas atividades desde menina.

Sua vida teve outro sentido a partir de uma reunião de familiares em um Centro de Atenção Psicossocial em 1996.

– Minha missão tornou-se clara a partir de então, pois foi quando decidi que queria cuidar de familiares de pessoas com deficiência psicossocial. Elas estavam abandonadas e sem vida própria. Cuidar delas, de quem cuida, também passou a ser importante para mim!

Marilice procurou incentivos culturais para cuidar desses cuidadores utilizando a arte, escreveu livro sobre a própria história familiar, criou a revista O Cuidador, onde, nos depoimentos impressos durante 7 anos, deu voz a cuidadores.

Passou a reconhecer o cuidado em qualquer profissão e criou sua própria definição: Cuidadores são todos que cuidam de alguém ou que cuidam de algo que resultará no bem-estar de alguém. E o mundo passou a se dividir em duas partes: cuidadores e sociopatas.

Marilice fez Especialização em Arteterapia na primeira turma que se formou em Porto Alegre. Já atendeu pessoas com transtornos, crianças que sofreram violência doméstica, pacientes e funcionários de hospital psiquiátrico, familiares de pessoas com deficiências, pacientes em quimioterapia em clínica de Oncologia, cuidadores contratados, funcionários públicos, idosos, escritores, professores, entre outros. Todos que a procuram ela descobre um modo de auxiliar.

– Aprendi a buscar, a plantar, a colher e a dar. Acredito que passamos dificuldades em nossa vida para aprendermos e assim ensinar os outros. O conhecimento é para ser compartilhado.

Descubra neste site o seu valor na Literatura e na Arteterapia.

Contate através do WhatsApp (parte inferior da tela, à direita).

Dizem que quando temos uma missão e a cumprimos, ganhamos saúde e somos mais felizes. Não é a nossa maior riqueza?

Foi há tempos que isso tudo começou. Meu filho autista tinha 26 anos e todos estávamos esgotados. Procurei auxílio na rede de Saúde Mental que se formava na capital e participei de uma reunião de familiares. No Centro de Atenção Psicossocial Centro de Porto Alegre, a fala dos familiares cuidadores me tocou profundamente. Eu sabia exatamente o que eles passavam. Decidi fazer algo para ajudá-los. Ao cuidar deles, cuidaria também de mim, me sentiria melhor? Eu não tinha essas questões. Apenas sentia que era preciso continuar.

Aos poucos, o início de minha jornada apareceu. Passei a criar projetos para eles. Com uma amiga, propus ao FUMPROARTE um projeto com dançaterapia e arteterapia que resultavam numa exposição com um folheto, valorizando e registrando a criatividade dos familiares. Aprovado na primeira etapa, foi excluído na segunda. Arte para cuidar? Isso lá era coisa para a Arte e a Cultura?

Cuidar com arte?  Anos depois, o projeto Fênix: arte ao cuidador recebeu PRONAC do MINC. Não recebeu patrocínio.

Ofereci uma Oficina de Arteterapia ao Centro de Saúde Modelo, não aceitaram. A Arteterapia recém iniciava no país. Então, desisti da área pública.

Um pedido de concordata da empresa que meu pai criou me direcionou a resgatar a arquitetura histórica deste núcleo fabril do Frigorífico Z.D.Costi. Fiz maratonas em muitos lugares procurando apoio para manter a sua memória. Um dos lugares que fui diversas vezes foi a FIERGS. O único que apoiou. Depois de vários encontros, na última reunião com um advogado e um administrador, assessores da Presidência, antes do aperto de mãos, ouvi: A senhora sabe… a senhora é a real herdeira de seu pai!

Aquilo rebateu em mim por dias, empreendedora eu? Estava mais que na hora de criar o meu próprio negócio. Nasceu SANA ARTE e as portas começaram a se abrir para a edição das 40 revistas O Cuidador, a revista dos cuidadores, Orgulho de Ser, com a colaboração de mais de 200 pessoas. Com ela descobri muito de minha história passada e aprendi que também o quanto era capaz.

Com essa bagagem de vida, livros de minha autoria,  cuidaqui.com – plataforma de cuidados, muitos artigos, o mestrado na UFRGS e a especialização no Pós-Graduação de Arteterapia: o curso de minha vida, construí-me.

Tudo que aprendi se integrou e fez sentido. Meu caminho segue para cuidar, tratar e ensinar em várias direções.

Cuidar com arte! Cuidar com literatura! Cuidar com Arteterapia!

Tinha mais!

Quando minha mãe morreu aos 96 anos, eu soube mais de sua história de cuidados.

Sou muito grata a tudo e a tantos.

E a você também, que leu até aqui. Seja bem-vindo!