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“Anjos de uma asa só” e a MULHER SELVAGEM

“Anjos de uma asa só” e a MULHER SELVAGEM

Em seu livro (veja abaixo), Clarissa Pinkola Estes traz o arquétipo da Mulher Selvagem. De poderosa natureza psicológica e instintiva, a Mulher Selvagem tem uma força que a acompanha. Pode ser considerada a psique natural, com uma natureza básica e inerente às mulheres. Essa mulher é citada em várias áreas: na psicanálise, pode ser considerada o id, de Self, de natureza medial, e ainda, de natureza típica ou fundamental na Biologia. Ela é de natureza sábia, conhece e, muitas vezes é considerada uma mulher “que mora no final do tempo” ou “que mora no fim do mundo”.

Eu diria que é uma mulher além de seu tempo, pois compreende, percebe, cuida, de modo a surpreender a muitos, a prever futuros administrando problemas e encontrando soluções. “Ela é amiga e mãe de todas as que se perderam, de todas as que precisam aprender, de todas as que têm um enigma para resolver, de todas as que estão lá fora na floresta ou no deserto, vagando e procurando”. (ESTES, 1994, p. 11)

A amizade entre essas mulheres, as que se ligam pelas suas dores, pelos seus cuidados intensivos e exaustivos, angustiantes e familiares, são mais do que uma relação de amizade. Há cumplicidade, solidariedade, comprometimento, presença, colo.

De onde vem a força?

Selvagens mulheres, mas com uma asa a menos, como disse a mãe na crônica “Saiba mais sobre Anjos com Asas”, é a mulher cuidadora, mãe de alguém que dela depende por toda a vida. Ela sabe que, ao se aproximar de outra mulher cuidadora, tornar-se-á mais forte.

Essa mulher selvagem é também aquela que também se encontra em um bosque ao lado de outras árvores,. Elas se conectarão si devido ao tamanho e profundidade de suas raízes. Essa liga, comum aos grupos com membros em situações similares, é feita de um afeto incondicional e resulta em uma relação de amizade genuína.

Papel de cuidadora

  • Mulheres, também podem ser árvores que se unem e cuidam com sua sombra e alimento. E acolhem outras, é seu papel de cuidadora. Árvores, metáforas, símbolos do cuidador marcantes na revista O Cuidador, muito nos ensinam. Dão oxigênio, flores e frutos, protegem do sol e da chuva, fornecem elementos importantes na indústria (seringueira, por exemplo), acolhem ninhos e animais, crianças em seus galhos desenvolvem a motricidade. São muitas as possibilidades… Mas essas árvores não podem ser ocas, vazias,  dominadas por parasitas. Poderão perder a seiva e a força de seus galhos, secarem sem conseguirem cumprir seu ciclo de vida. É preciso cuidá-las.

Cuidadoras intensivas, árvores que adoecem são como os anjos que perderam as asas. E nem percebem que as estão perdendo. Vão adoecendo, entrando em exaustão e preparando a própria morte. Essas mulheres precisam buscar ajuda também para si, alimentarem-se da força coletiva com outras mulheres.  Mas cuidam mais de quem dela depende do que delas mesmas. Imaginam elas que isso é fundamental. Não é. Como poderão seguir cuidando se estão frágeis, escapando de seu Arquétipo?

 

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Referência – ESTES, Clarissa Pinkola. Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem. Trad. Waldéa Barcellos. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.

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Temos projetos há mais de dez anos para cuidar dessas mães ou desses pais. Tanto precisam… Aguardamos!… whatsapp 51 996542097

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MARILICE COSTI vem escrevendo suas memórias. Especialista em Arteterapia, é Mestre em Arquitetura, autora de diversos livros, entre eles: “As palavras e o cuidado: Arteterapia e Literatura”, “A fábula do cuidador” “Como controlar os lobos? e vários de literatura, entre eles Ressurgimento – Prêmio Açorianos em 2006. Foi editora da revista O Cuidador, para cuidar quem cuida (2008-2015), finalista no Prêmio Brasil Criativo – SP, em 2014.  Criou Cuidaqui.com. Atualmente atende em seu Atelier com Arteterapia e Literatura/ Cursos.

 

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